Cultura, memória e resistência: artistas de toda o Brasil fortalecem o Espaço Chico Mendes na COP30

O Espaço Chico Mendes consolidou-se, ao longo da COP30, como um território cultural de resistência e celebração amazônica. Entre os dias 8 e 21 de novembro, o espaço recebeu uma programação extensa que combinou música, cinema, teatro, performances e atividades místicas, reunindo artistas, coletivos e expressões culturais que ampliaram debates sobre clima, floresta, ancestralidade e justiça socioambiental.

Programação do Espaço é diversa e lotada de opções. Foto: Alexandre Noronha

Pensado como um centro de convivência e troca dentro do Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, o espaço abrigou 14 dias de atividades culturais ininterruptas, dentro e fora do museu. Cada apresentação dialogou diretamente com os valores defendidos pelo líder seringueiro, reafirmando que a cultura também é instrumento de preservação territorial e construção política na Amazônia.

A programação iniciou no dia 8 de novembro com as apresentações musicais de Ios da Selva e Jeff Moraes, além da exibição do filme O Último Azul, dirigido por Gabriel Mascaro. No dia seguinte, o espaço recebeu o show de Felipe Cordeiro, trazendo sonoridades contemporâneas do norte. No dia 10, a agenda de cinema exibiu Mestras, de Allan Ribeiro e Carvalho, seguida do show do Grupo Carimbó Voa Ao Mundo, que levou ao público ritmos tradicionais e identidade regional.

O dia 12 foi marcado por múltiplas linguagens. Houve apresentação de Teatro de Lambe-Lambe e intervenções de perna de pau, criando um ambiente lúdico e popular. O cinema exibiu Thiago e Ísis – Os Biomas do Brasil, dirigido por João Amorim, e Gyuri, de Mariana Lacerda. No dia 13, o componente místico tomou conta do espaço com o Porongaço, performance vinculada à Marcha das Pessoas Seringueiras, seguida da sessão do filme O Monstro de Ferro Contra o Gigante da Bahia.

No dia 14, Mestre Curupere animou o horário do almoço com uma performance cultural, antes da exibição de PAU D’ARCO, dirigido por Ana Aranha. À noite, o palco recebeu o show de Zake 88, parte das celebrações pelos 40 anos do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). No sábado, dia 15, o Boi Terra Firme trouxe elementos da cultura popular amazônica, seguido do espetáculo teatral Vozes da Floresta. No domingo, dia 16, a Ballroom Haus of Ca realizou uma performance marcante, colocando a cultura ballroom amazônica no centro do debate climático.

A sequência continuou no dia 17 com a mostra de curtas brasileiras, incluindo Meus santos saúdam teus santos e Ela Mora Bem Ali, antes de nova apresentação do espetáculo Vozes da Floresta. No dia seguinte, o cinema exibiu Para, dirigido por Vinicius Toro, e a noite caminhou para o encerramento com Os Falsos do Carimbó. No dia 19, a cultura urbana ocupou o espaço com Trane Batalha, batalha de rima que conectou juventude e território, seguida do show da cantora Raidoi. No dia 20, o cinema exibiu Cheiro de Diesel, dirigido por Natacha Neri, e o palco recebeu a banda Alcxe Duchu. A programação encerrou oficialmente em 21 de novembro com o show de Flor de Mururé.

Em meio a esse conjunto diverso de artistas, a fala de Alberan Moraes destacou o significado político e emocional de ocupar o Espaço Chico Mendes com arte amazônica. Ele afirmou:

“É maravilhoso né primeiro você trazer um pouquinho do Acre como vocês trazem de todos os segmentos. A gente traz a música também pra cantar, pra mostrar a sustentabilidade do açaí, pra mostrar a nossa farinha, pra mostrar a variedade dos nossos feijões no Vale do Juruá. Então isso é maravilhoso participar aqui e mostrar pros outros estados e até gente do estrangeiro que tá passando por aqui.”

Para Alberan, estar no espaço também significou reafirmar o compromisso com o legado de Chico Mendes. Ele disse:

“Mostrar nossa música e tá alinhado a Chico Mendes né porque ele que é o nosso patrono nesse momento de sustentabilidade. Não tem lição melhor do que ele nos deu.”

A pluralidade das apresentações demonstrou que arte e política caminham juntas no enfrentamento à crise climática. Ao acolher músicos, performers, cineastas, educadores populares, grupos tradicionais e artistas independentes, o Espaço Chico Mendes transformou a COP30 em um território vivo de narrativas amazônicas.

Alberan Moraes exibe um verso de prosa, que exemplifica bem tudo isso:

Quando eu era pequeno
melhoral, sonrisal e cibalena
Era de pacote,
Nos tempos que a gente assistia
Charles Chaplin, Teixerinha e Mazzaropi,
No rádio a gente ouvia
Barnabé, Ludrugero e Atrope
Hoje é gostoso saber
E ver meu amigo Alberan
Cantando e participando da COP

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