Para que a Amazônia possa falar, seus comunicadores precisam estar protegidos

Nota de solidariedade ao Tapajós de Fato

Além de publicar reportagens, o Tapajós de Fato ajuda organizações locais a criar seus próprios departamentos de comunicação e forma jovens comunicadores. Foto: Arquivo Pessoal

A Amazônia é alvo de uma disputa cada vez maior por território, recursos e investimentos. Quem comunica o que acontece nela também precisa ser protegido. Em 2026, o Tapajós de Fato, veículo independente de denúncias dentro da Amazônia, criado em 2020, teve que fechar sua cobertura das eleições por medo de morrer. 

Não podemos normalizar uma Amazônia onde o medo decide o que pode ou não ser noticiado. Comunicadores do território precisam de proteção para exercer seu papel. Não basta proteger a floresta enquanto quem conta o que acontece nela é silenciado pelo medo. A proteção do território também passa pela proteção de seus comunicadores

O medo de morrer percorre todos os comunicadores e lideranças que pretendem colocar seu trabalho em prol da proteção dos direitos das comunidades que vivem na floresta. A equipe do Tapajós de Fato passou por estas ameaças, mas antes deles, tivemos Dom Phillips e Bruno Pereira, em 2022, assassinados. Em 2005, tivemos Dorothy Stang. Em 1984, Wilson Pinheiro. Em 1988, Chico Mendes.

Chico, antes de morrer, implorou por ajuda a autoridades, veículos de imprensa, ao seu Estado, à sua cidade e não foi respeitado. Perdemos ele. Vamos deixar essa história continuar sendo escrita da mesma forma que há quase 40 anos atrás?

Quando ameaças fazem um veículo deixar de cobrir uma eleição, o problema não é apenas jornalístico. Ele é democrático. Jornalistas do Tapajós de Fato foram ameaçados com faca, cabeça de animais e com a impossibilidade de visitar suas famílias, tendo que morar em hotéis.

Nos nove estados da Amazônia Legal, foram 66 ataques à imprensa, registrados em um único ano, segundo a Repórteres Sem Fronteiras. O Comitê Chico Mendes presta solidariedade ao veículo e a todos os jornalistas, comunicadores e defensores da Amazônia ameaçados e polidos de suas funções. Para que a Amazônia possa falar, sua gente precisa ser protegida!

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