VARADOURO: Cheias no Acre deixam famílias desabrigadas; governo federal reconhece situação de emergência
dos varadouros de Rio Branco
O rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, que nesta semana superou, pela segunda vez, a cota de alerta para transbordamento. Foto: Fabio Pontes/Varadouro
Há famílias desabrigadas em Tarauacá e em Feijó. Em Cruzeiro do Sul, o rio Juruá superou a cota de alerta, mesmo fenômeno registrado em Rio Branco, com o rio Acre. Previsões de chuva acima da média até março deixam autoridades em alerta.
Famílias desalojadas, abrigos improvisados e milhares de pessoas afetadas já fazem parte da rotina em municípios do interior do Acre depois das cheias provocadas pelas chuvas intensas das últimas semanas. Segundo a Defesa Civil, dezenas de pessoas seguem desabrigadas em cidades como Tarauacá e Feijó, enquanto os principais rios do estado permanecem em níveis elevados e sob monitoramento constante.
Em Tarauacá, onde o rio de mesmo nome transbordou na tarde de terça-feira, 13, quatro pessoas seguem desabrigadas e 72 estão desalojadas, obrigadas a deixar suas casas. Mesmo com a leve vazante registrada nesta quinta, 15, os impactos da cheia ainda são expressivos. Levantamento da Defesa Civil municipal aponta que 5,2 mil residências foram atingidas e cerca de 12 mil pessoas afetadas em quatro bairros da cidade.
Um abrigo continua funcionando em uma escola do município, que também concentra a produção e distribuição de refeições para as famílias atingidas. Somente na quarta-feira foram entregues 650 marmitas, com previsão de nova distribuição nesta quinta-feira.
Em Feijó, o cenário é semelhante. O rio Envira, que transbordou na terça-feira, iniciou vazante, mas ainda mantém duas famílias, totalizando sete pessoas, desabrigadas e acolhidas em abrigo público. No total, mais de 120 famílias foram atingidas no município, incluindo moradores da zona urbana, rural e aldeias indígenas.
De acordo com os dados mais recentes, o nível do rio Juruá ultrapassou a cota de alerta pela segunda vez este ano. A medição atual é de 11,96m, o que acende um sinal de atenção para possíveis impactos, especialmente em áreas historicamente vulneráveis a alagações.
Diante do agravamento da situação no interior, o governo federal reconheceu situação de emergência em cinco municípios acreanos — Feijó, Tarauacá, Plácido de Castro, Porto Acre e Santa Rosa do Purus — permitindo o acesso facilitado a recursos para assistência humanitária, resposta imediata e recuperação das áreas atingidas.
Enquanto isso, na capital, o rio Acre ultrapassou a cota de alerta, atingindo 13,60 metros às 15h desta quinta. Embora ainda abaixo da cota de transbordamento, o nível elevado mantém equipes da Defesa Civil em prontidão máxima e ações preventivas em áreas ribeirinhas de Rio Branco, além de atenção redobrada em municípios do Alto Acre, como Brasiléia e Assis Brasil.
Esta é a segunda vez em menos de um mês que o rio Acre ultrapassa a cota de alerta em Rio Branco.
Outras regiões seguem sob vigilância. Na bacia do Purus, municípios como Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus continuam sendo monitorados.
A Defesa Civil do Estado informou que mantém planos de contingência ativos, com equipes mobilizadas para remoção de famílias, atendimento emergencial e distribuição de ajuda humanitária. A orientação à população é para que acompanhe os boletins oficiais e evite áreas de risco enquanto as chuvas persistirem.