Verunay (e o nosso 2026) nasceu: nota de nascimento

Luiza e Uhnepa dão um beijinho no Baby Veru. Foto: Allana Aryanne

2026 nasce. Vem em ondas. Aperta. Afrouxa. A gente respira, inspira, expira. Não chega pronto. Nasce como nascem as coisas: aberto, em movimento, pedindo cuidado.

Ano passado foi longo. Doeu. Escrevemos muitas notas de pesar porque era preciso escrever. Para nomear perdas, para não deixar que o silêncio apagasse quem se foi. A última postagem do ano foi uma nota de pesar. Encerramos 2025 assim.

Agora o tempo empurra. Em 2026, o ano se abre com outro tipo de nota. Nota de nascimento. 2026 nasce enquanto outra vida nasce. Verunay chega. Bebê onça da nossa coordenadora geral, Ana Luiza.

Todo nascimento reorganiza o tempo. Um bebê nasce e o mundo ganha alguém, ganha tempo, ganha possibilidade. De repente, o futuro deixa de ser uma palavra distante e vira alguém dormindo, respirando, crescendo. Um nascimento puxa o outro. O ano abre caminho enquanto um corpo pequeno encontra o mundo.

Enquanto o Comitê começa mais um ano de trabalho, organização e disciplina, alguém começa a vida. E isso importa.

Verunay também carrega encontro. Seus pais se cruzaram no caminho da luta, numa oficina da Aliança das Amazônias. Do mesmo chão que organiza, mobiliza e insiste, nasceu amor. E agora, vida. Parabéns a Ana Luiza e Uhnepa por levarem a sério a missão de aliançar. Ganhamos mais uma voz para ler a carta de Chico, mais um Jovem do Futuro que daqui a pouco vai estar correndo na Concha Acústica no dia 6 de setembro, pisando no chão do seu território aprendendo a caminhar com coragem.

Verunay nasce num mundo ferido. O ano também. Um mundo onde a cheia chega cedo, antes do tempo, como não acontecia há anos no Acre. Onde o rio sobe depressa e lembra que o clima mudou, que o chão já não responde como antes. Mas os dois nascem cercados de gente que insiste. Gente que fica. Que cuida. Que trabalha. Que não larga. E talvez seja isso que um nascimento nos lembra: que seguir faz sentido porque alguém acabou de chegar.

Começar o ano assim, em parto, nos lembra do que queremos. Para Verunay. Para todas as crianças. Para todo mundo. Queremos um mundo onde crescer seja possível, onde viver não seja um risco permanente, onde o futuro não precise ser adiado nem negociado.

Seguimos. Seguimos porque alguém acabou de chegar. Que esse começo de ano e começo de vida nos traga muita esperança e força pra seguir.

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