Nascida de uma miração, Conferência Estadual reúne indígenas e extrativistas para debater comunicação e política no Acre

Rede de Comunicadores Indígenas do Acre e Coletivo Varadouro preparam a Comfloresta para o mês de setembro

Centro de Formação dos Povos da Floresta será o palco da Comfloresta. Foto: Vitor Ian Morais

A Rede de Comunicadores Indígenas do Acre (RCIA) junto com o Coletivo Varadouro realizam a Conferência Estadual de Comunicação dos Povos da Floresta (ComFloresta) entre os dias 02 a 05 de setembro de 2026, no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF) da Comissão Pró-Indígenas do Acre. Os coordenadores dos coletivos organizadores, Unhepa Inū Vake Nukini e Kailane Silva falam sobre a construção do encontro histórico.

“A comunicação da Comfloresta, desse projeto, parte de uma miração. A migração do Uni ou Ayahuasca. É muito forte falar da conferência, porque ela surgiu no Astral. Ela surge antes mesmo perante os nossos mestres espirituais que estão em outra dimensão desse espaço, e depois chega até nós”, explica Inū Vake.

A RCIA nasceu em 2023, a partir de uma formação na CPI-Acre que começou em 2021. Por meio de articulações, os jovens se integraram em oficinas de aprofundamento dentro da comunicação. Atualmente, a Rede representa nove territórios indígenas do Estado. 

O encontro pretende reunir comunicadores e coletivos de comunicação dos povos da floresta, organizações parceiras e instituições públicas para um espaço de escuta, troca de experiências, reflexão crítica, análise e construção coletiva de propostas de unificação para o fortalecimento da comunicação da floresta do Estado do Acre.

Coletivo Varadouro chega com expectativas altas e juntando forças com essa caminhada. Foto: Glauber Maia

Aliança dos Povos da Floresta

Inspirados na Aliança dos Povos da Floresta, a coalizão liderada por Chico Mendes e lideranças indígenas, que unificou seringueiros e povos originários em uma agenda comum de reforma agrária, o Coletivo Varadouro se juntou no processo. Organização de jovens lideranças das Reservas Extrativistas (RESEXs) do Acre, Kailane fala sobre as expectativas para o encontro:

“As expectativas são as melhores para ver como essa juventude se articula e se comunica diretamente de seus territórios. Queremos entender mais a fundo como tudo isso acontece, para aprender e somar forças nessa caminhada.”

Com a forte presença de mulheres, a ComFloresta também pretende ser um espaço político. Com a presenca de figuras como Franciso Piyãko, Angela Mendes, Samuel Arara irão debater temas como políticas públicas em defesa destes territórios em um ano eleitoral.

"A juventude do presente e do futuro se reúne para saudar essas memórias, esses espíritos, fortalecendo nossa caminhada para dar continuidade à luta dos nossos ancestrais. A atuação da Comfloresta é de extrema força em um ano decisivo para o cenário político, momento em que olhamos para o parlamento e vemos uma bancada que tenta destruir e apagar a história desses territórios."

Uma nova coalisão

Para os organizadores, a conferência reafirma o compromisso da juventude com a comunicação. Dentro da miração que iniciou o processo foi relatado que esses coletivos precisavam passar por um processo de alinhamento e prestação de contas perante seus territórios, suas lideranças e suas organizações.

"Desde que soube da proposta, fiquei muito feliz e grata, tanto na condição de liderança jovem extrativista quanto, principalmente, como integrante do Coletivo Varadouro. Sinto a força dessa aliança entre diferentes povos que lutam por um bem comum, por direitos e pelo devido reconhecimento. Todo esse processo tem sido uma trajetória de muito aprendizado e cooperação”, diz Kailane Silva.

Rede de Comunicadores Indígenas do Acre em sua sexta oficina, em 2025, já planejava a Comfloresta. Foto: Ila Verus

O projeto atenderá diretamente cerca de 45 comunicadores e lideranças tradicionais, sendo 15 de reservas extrativistas e 02 representantes dos 15 povos indígenas presentes no Acre, nos cinco dias em Rio Branco. Inū Vake reflete sobre o que será debatido na ComFloresta:

"Agora nos reunimos para fazer essa prestação de contas: o que os coletivos têm feito por seus territórios? O que têm feito pelos comunicadores que estão neles? Como essa comunicação tem sido realizada? Nosso papel é prestar contas de como essa comunicação tem gerado espaço para que mulheres e mães cheguem, se formem e executem seus trabalhos dentro de cada território."

Ao final da ComFloresta, uma carta será escrita por todos os participantes com propostas, demandas e encaminhamentos. Para facilitar o alinhamento com as organizaçòes, os seguintes contatos foram disponilizados:

  • Uhnepa Nukini +55 (68) 99917-8980

  • Kailane Silva +55 (68) 99219-0987 

Ou pelos e-mails: 

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