Unidos do Fuxico: bloco de carnaval une folia e cultura em mais um ano de Carnaval de Rio Branco
Por Wellington Vidal
Nascido nos bairros da capital acreana, o bloco mantém vive a tradição do carnaval de rua e fortalece os laços comunitários
Bloco Unidos do Fuxico no Carnaval de 2025. Foto: Jardy Lopes
“Eu quero é botar meu bloco na rua, gingar, pra dar e vender”. O trecho da música de Sérgio Sampaio traduz bem o sentimento de alegria, pertencimento e resistência vivido pelos foliões do bloco Unidos do Fuxico durante o período carnavalesco, em Rio Branco.
Com origem no final da década de 80 no bairro Câmara, o bloco surgiu a partir de integrantes da extinta escola de samba Unidos do Bairro 15, que decidiram manter viva a tradição do carnaval de rua criando um bloco para desfilar como “bloco dos sujos”.
Na época, era comum que grupos de amigos se reunissem no período carnavalesco com instrumentos de percussão e nomes irreverentes, como forma de brincadeira, resistência cultural e celebração popular nos bairros da cidade.
Quanto ao nome do bloco, o atual presidente, Aryson Fernandes conta que o significado do nome "Fuxico" nasceu do burburinho causado pelo surgimento do bloco.
“Corria o cochicho pelos bairros, tem um bloco ali, um pessoal que criou um bloco que vai sair no carnaval”.
Esse falatório acabou batizando o grupo inicialmente como Vila do Fuxico, um nome que traduz bem o espírito popular, irreverente e comunitário do bloco.
“Fuxico” e a economia popular
Com o passar do anos, o bloco foi ganhando reconhecimento e tornou-se referência dentre os blocos com bateria, com forte adesão popular em suas ações culturais.
“Por estar localizado no Segundo Distrito, muitos integrantes vêm de comunidades como Taquari e Cidade Nova, o que reforça o vínculo com a cidade”, relata Aryson.
Além da festa, o “Fuxico” movimenta a economia dos bairros, envolvendo trabalhadores locais em toda a cadeia produtiva do carnaval, ferreiros, marceneiros, costureiras, eletricistas, artesãos e músicos, que confeccionam fantasias, constroem alegorias simples, ferreiros, desenvolvimento do samba-enredo e organização da bateria.
No entanto, segundo Arysson, o bloco encontra grandes desafios, quanto a recursos financeiros e estrutura.
“A gente não possui sede própria, o que faz com que toda a construção do carnaval aconteça de forma improvisada, em espaços cedidos ou na rua. Mesmo assim, o bloco segue se organizando com muito esforço coletivo e apoio da comunidade”, afirmou.
Enchente no carnaval
Assim, como grande parte da população de Rio Branco, os foliões do Unidos do Fuxico, não escapam da triste realidade do Rio Acre e seus extremos. O presidente do bloco conta diversas vezes que o período da cheia coincide com o carnaval.
“Em vários anos, integrantes precisaram atravessar áreas alagadas e até pegar catraia para sair de seus bairros e chegar aos ensaios ou aos desfiles. Essa dedicação mostra o quanto o Fuxico é resistência, pertencimento e amor ao carnaval”, declara Aryson.
Para quem faz parte do bloco, ele representa identidade, história e união, além de ser um espaço de pertencimento onde cultura, trabalho e comunidade caminham juntos.
“É uma oportunidade de fortalecer laços sociais e valorizar os saberes populares”, diz Aryson
Olhando para o futuro, o sonho é dar novos passos: conquistar uma sede própria, que garanta melhores condições de produção e organização, e além disso no próximo ano, tornar o Fuxico oficialmente uma escola de samba.