Encontro reuniu 90 ativistas em prol da defesa do meio ambiente na França
Angela Mendes no encontro Peoples for Forests, na França. Foto: Peoples for Forest Media
Em um momento crucial para o futuro do planeta, a Amazônia reverberou em solo francês. Neste mês de maio, o encontro global Peoples for Forests reuniu mais de 130 protetores e defensores das florestas e dos territórios de 56 países, a partir desta terça (20). Entre vozes da Ásia, África, Europa, Oceania e Américas, a presença da defensora Angela Mendes, presidenta do Comitê Chico Mendes, e Karla Martins, articuladora do Comitê e representante da parceira Mídia Ninja, destacou a força da luta extrativista e socioambiental do Brasil.
O evento, que visa construir alianças e imaginar novos caminhos por um futuro justo e vivo, foi o palco para Angela e Karla compartilharem os desafios enfrentados na defesa da floresta em pé, especialmente no contexto do desfavorecimento de pautas que defendam a Amazônia e a gente que vive nela.
"Eu penso que ao redor do mundo as pessoas têm enfrentado muitos desafios, principalmente no contexto político que a gente tem vivido, onde a extrema-direita que defende uma pauta capitalista, uma pauta liberal de exploração da natureza, está se firmando novamente", ressaltou Angela Mendes sobre a relevância do encontro.
Karla Martins comanda atividade cultural durante o Peoples for Forests, representando o Comitê Chico Mendes e a Mídia Ninja. Foto: Peoples for Forest Media
Para ela, esses espaços de articulação são fundamentais para "entender como as lutas estão sendo trocadas para fortalecer essas lutas".
Inovação e Inspiração que Nascem na Floresta
A participação do Comitê Chico Mendes no "Peoples for Forests" é vista por Angela como essencial para visibilizar a contribuição única que a luta amazônida oferece ao mundo. Ela destacou a "revolução que nasceu nas matas de Xapuri", referindo-se ao movimento liderado por seu pai, Chico Mendes, que culminou na criação das Reservas Extrativistas (Resex).
"Essa revolução (...) que traz resultados e impactos tão grandes e tão positivos como a criação das próprias reservas extrativistas, como um território de promoção dos modos de vida de uma população que tem sido tão violentada, que coloca essas pessoas numa situação de segurança, é algo que é muito inovador", afirmou Angela.
Karla Martins durante a Plenária de Abertura do Peoples For Forests - Global Gathering. Foto: Peoples for Forest Media
A experiência do Comitê com o trabalho com jovens e mulheres, além de outras iniciativas que promovem o bem-estar social, ambiental e econômico das comunidades tradicionais, serve como um farol de esperança e um modelo replicável.
"Tudo que a gente tem feito, esse trabalho com jovens, esse trabalho com mulheres, precisa ser visibilizado e ser fonte de inspiração. Então eu trouxe muito isso aqui na minha fala", pontuou a presidenta.
Sobre o Comitê Chico Mendes
Criado em 1988 por militantes, familiares e organizações da sociedade civil na noite do assassinato do líder seringueiro e sindicalista Chico Mendes, o Comitê Chico Mendes surgiu como guardião de seus ideais e legado. Até 2021, atuou como um movimento social, promovendo a Semana Chico Mendes e o Festival Jovens do Futuro. Diante do desmonte da Política Nacional de Meio Ambiente, que afetou violentamente os territórios e suas populações, especialmente as Reservas Extrativistas, decidiu dar um passo estratégico para fortalecer sua atuação em prol do bem-estar social, ambiental, cultural e econômico das comunidades tradicionais.
Em maio de 2021, após um amplo processo de escuta e diálogo entre membros e parceiros, optou-se pela institucionalização do Comitê Chico Mendes. A decisão representou um marco na trajetória da organização, permitindo a implementação de projetos estruturados sem abrir mão da essência de resistência, expressa nas Semanas Chico Mendes, realizadas desde 1989, e no Festival Jovens do Futuro, promovido a partir de 2020.