Como falar da juventude sem cuidar dela? Nota de solidariedade em apoio às vítimas do caso do Instituto São José
O Comitê Chico Mendes se solidariza com as famílias das funcionárias e de todas as pessoas atingidas pelo episódio ocorrido no Instituto São José.
Quando falamos sobre juventude, também falamos sobre educação, pertencimento, escuta, cuidado e construção de futuro. Falamos sobre crianças e adolescentes que deveriam ter o direito de crescer em segurança, brincar, sonhar, aprender e existir longe da violência.
Também falamos sobre educadoras e educadores que dedicam suas vidas a transformar o cotidiano de jovens através do afeto, da atenção e do compromisso com a formação humana. Como Euclides Fernandes Távora ensinou Chico Mendes, muitas pessoas são atravessadas e transformadas por quem escolhe educar para além da sala de aula.
E pelos relatos de carinho, amor e cuidado compartilhados por estudantes e colegas do Instituto São José, Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa representavam exatamente esse compromisso diário com a educação e com a vida.
Diante de uma tragédia como essa, é impossível olhar apenas para o fato isolado. Vivemos um tempo em que estruturas de violência crescem e se fortalecem em redes sociais, grupos online e espaços digitais onde discursos de ódio, intolerância e desumanização circulam com facilidade, alcançando especialmente adolescentes e jovens.
A radicalização e a violência têm encontrado caminhos cada vez mais acessíveis entre nossas juventudes, enquanto redes de cuidado, saúde mental, convivência e pertencimento seguem fragilizadas.
Uma educação que proteja seus profissionais também é fundamental. Afinal, como falar da juventude sem protegê-la e sem proteger quem a ensina?
Precisamos defender escolas como espaços de acolhimento, escuta e construção coletiva. Precisamos fortalecer vínculos comunitários, combater a naturalização da violência e construir caminhos para que crianças e adolescentes consigam imaginar futuros possíveis para si.
Neste momento de dor, reiteramos nossa solidariedade às famílias, estudantes, educadores e toda a comunidade afetada. Que a comoção diante dessa tragédia também nos convoque à responsabilidade coletiva de cuidar das nossas juventudes e de quem dedica a vida a educá-las.
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