Filmoteca Acreana exibe o curta “Minha Pele Preta em Terra Verde” neste sábado

Por Tatiana Ferreira

Sessão será seguida de bate-papo sobre identidade negra e produção audiovisual na Amazônia

“Minha Pele Preta em Terra Verde”. Foto: Reprodução/Instagram: @teddyfalcao

Dirigido pelo cineasta acreano Teddy Falcão, o curta “Minha Pele Preta em Terra Verde” será exibido às 17h na Filmoteca Acreana, seguido de bate-papo com o diretor, neste sábado (28). A entrada é gratuita, e a classificação é livre. Teddy possui uma trajetória marcada pela dedicação e produção audiovisual no Acre. Atuando desde o cineclubismo, ele já realizou diversos projetos que fortalecem o cinema local e valorizam histórias de comunidades amazônicas. 

“O curta traz um conjunto de reflexões muito importantes, sobre como a história de nós negros na Amazônia, é apagada de forma ainda mais violenta, e como se normalizou esse apagamento”, afirma.

Defensor do cinema negro, o cineasta busca dar visibilidade a narrativas e experiências negras que historicamente foram silenciadas, e trabalha para ampliar a presença e o protagonismo de vozes locais no cenário audiovisual. 

Cinema como voz e território

O curta aborda experiências ligadas à identidade negra em contexto amazônico, deslocando a região da condição de cenário para espaço de produção de narrativa e pertencimento. Em um universo audiovisual dominado por grandes centros, iniciativas como esta ampliam a visibilidade de vozes locais e refletem sobre o direito de contar histórias sobre a Amazônia.

O debate abre espaço para diálogo direto com o público, incentivando a reflexão sobre os temas tratados no curta e as práticas de produção audiovisual na região. Para o diretor, o encontro representa um momento de fortalecimento do cinema negro na Amazônia. 

“As vozes são silenciadas, e isso se acentua ainda mais, pois o estado não reconhece que somos negros, mesmo sendo maioria. E mesmo assim, infelizmente nossas histórias não são contadas e nem reconhecidas.”

Embora tenha 23 minutos de duração, o curta é repleto de camadas, abrindo espaço para questionamentos e reflexões profundas.

Impacto Cultural e Social

A realização da sessão reforça a importância de equipamentos culturais públicos como espaços de formação crítica e de democratização do acesso ao cinema. Ao ocupar esse espaço, o curta reafirma a presença de vozes negras no debate cultural local.

“O que eu espero é que a mensagem seja transmitida da forma mais clara e interessante, pois isso é uma proposta de diálogo para conversarmos sobre nós, negros: de onde viemos, como conseguimos sobreviver e como se estabelece uma população negra em uma região tão reconhecida naturalmente como lar dos povos indígenas e dos povos da floresta”, conclui o cineasta, ao ser perguntado qual impacto espera com a exibição do curta.

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