Elson Martins: o jornalista das selvas, um homem de sorte
No dia do jornalista, a gente conversa com uma das maiores referências do jornalismo acreano, Elson Martins
Elson Martins em sua casa. Foto: Comitê Chico Mendes
Na primeira vez que o Comitê Chico Mendes se encontrou com Elson Martins, 86, em seu escritório, o jornalista disse que estava no “crepúsculo de sua vida”. Contudo, nesta terça-feira, 7, dia do jornalista, temos outra descrição de Martins, dada por ele mesmo.
“Sim, sim. Eu acho que eu fui adolescente até bem... quase hoje, sabe?”
Ao se descrever como “um homem de sorte”, ao longo de sua trajetória, ele afirma que continua acreditando que o Acre só seria um estado feliz se avançasse com a sua formação florestal.
“A gente sente que o Acre já está muito diferente. Está diferente, mas não está melhor do que era antes. Acho que deveria estar diferente e melhor. E por que não está melhor? Porque as pessoas que chegam com recurso e autorização para transformar o Acre não têm o conhecimento necessário sobre a natureza e o valor que ela tem.”
Até a ciência ainda descobriu muito pouco desse valor. Em função disso, não têm sentimento de pertencimento. Martins se educou como um jornalista com leitura sobre a Amazônia. Toda esta carga de ancestralidade, atrelada a uma modernidade no fazer, apesar dele admitir que tem resistência às “mágicas do computador”, o fizeram decidir ficar na floresta:
“Eu sou amazônida. Se eu não morar na Amazônia, não me sinto bem [...] O que acho que foi muito mais importante para mim foi essa noção de pertencimento. Eu me considero cada vez mais amazônico, e o jornalismo me proporcionou isso”, afirma.
Valdiza Alencar foi um dos retratos resgatados por Elson Martins na Amazônia. Foto: Jornal O Varadouro
Um pouquinho no passado
O criador do Jornal O Varadouro, o jornal das selvas, fala que tem muito orgulho da juventude indígena atualmente que se empoderou nas redes sociais. Mulheres e jovens das comunidades tradicionais falando sobre ciência o encantam.
“É uma naturalidade que a natureza ensina e que, em algum momento, vai ter um peso no futuro.”
Um futuro que ele teme, mas que demonstra esperança, a partir justamente dessa crença na juventude. Elson Martins, em uma de suas últimas atuações fora do Acre, comandou o jornal Folha do Amapá, antes de criar a revista “Acreanidade” e se juntar ao governo do PT acreano. Foi lá, onde conheceu duas amigas e comunicadoras importantes no Acre, Andréa Zílio e Mara Lopes. Isso também perpassa para suas filhas, uma delas artista plástica formada em Belo Horizonte.
No Folha do Amapá, ele aplicou a mesma metodologia que usou no Varadouro. Um jornal de movimento, que era organizado por demandas. Diferente das redações mais tradicionais ao redor do país. O veículo fez história durante os anos 90. A ideia era replicar a experiência do Varadouro lá na Folha do Amapá. O jornal rapidamente se tornou o mais lido e influente do estado e ajudou muito o João Capiberibe, amigo de Elson e governador do Amapá na época.
“Baseando-me na experiência do Varadouro, encarei essa etapa como mais uma forma de praticar jornalismo comprometido, valorizando repórteres engajados e editoria independente.”
Mas apesar de sair em bons termos, problemas judiciais da direção seguinte ao jornal acabaram prejudicando Elson que paga até hoje por estes imbróglios. Algo que não seria a primeira vez que aconteceu com ele. Porém, antes do Folha do Amapá, existiu o Elson Martins, editor do A Gazeta do Acre. Outro periódico que movimentou não somente a vida do jornalista, mas as águas de Rio Branco, no Acre.
"Eu não devo, em nenhum momento, esquecer a espiritualidade, a singeleza.”"
A caravana e as gazetinhas
Elson foi para o Amapá depois de uma proposta de Capiberibe. Antes, ele cuidou da campanha do ex-governador do Acre, Flaviano Melo. Esta campanha foi mais uma inovação que Martins participou, já que ele construiu ela como se fosse uma odisseia (literalmente) por meio de uma caravana pelo Estado.
“E foi essa caravana que deu o grande mote da campanha do Flaviano Melo. Mas ele já estava bem encaminhado pela raiz política dele, pelo MDB. Bom, aí nós conseguimos... e começou o racha entre eu e o Silvio [Martinello].”
Foi uma viagem até Cruzeiro do Sul, em pleno inverno, pela BR-364. Cinco dias pra chegar lá, mais de 30 carros e ônibus. Flaviano venceu. Contudo, no período pré-posse, Elson que ficou responsável pela escolha do secretariado, o que atraiu desavenças por parte de fazendeiros acreanos que eram contra seu posicionamento político.
Assim que Flaviano iniciou seu processo de posse, ele negou o plano que Martins tinha feito e pediu que ele mesmo escrevesse sua carta de intenção. O jornalista se recusou, mas foi retirado mesmo assim do mandato. Martins usou das Gazetinhas (pequenos panfletos jornalísticos) para criticar o governo de seu ex-aliado. O que acabou quebrando uma outra grande amizade.
“Nas Gazetinhas eu mostrava, com respeito, não era uma campanha direta contra o governador eleito, mas eu mostrava discordância. E o Silvio Martinello, não. Uma tarde, o Silvio entrou na minha sala. Eu tinha 40%, o Sílvio 40%.”
Silvio Martinello foi um jornalista amigo de Elson que o ajudou a fundar o Jornal O Varadouro. Além de comandarem o Gazeta do Acre por anos. Assim, a amizade se deu um fim e a ligação de Elson com o Gazeta do Acre também.
“Eu, desconfiado e magoado, escrevi uma carta para a redação dizendo que estava abandonando o jornal e que, a partir daquele momento, o diretor-geral seria o Silvio, e que eu não faria mais parte da empresa. Voltei pra casa e não voltei mais ao jornal. Foi ali, que nossa amizade acabou”
Retrato de Elson Martins nos anos 1960. Foto: Blog Porta Retrato
Do Acre
Para entender a perda que essa saída de Martins significou para o jornalismo acreano é melhor deixar ele explicar o que foi A Gazeta do Acre comandada por ele e Martinello, uma década antes da separação dos dois.
“A gente assumiu a Gazeta, que passou a funcionar lá na cerâmica, num prédio da cerâmica. E a Gazeta passou a ser o melhor diário de Rio Branco. E a gente nem contava ainda com anúncios do governo, principalmente, não colocava isso como questão.”
Apesar de ameaças, como uma advogado “sarcástico, atrevido” tentando usurpar sua cadeira em apenas uma semana de edição do jornal. Mas com a equipe antiga do Varadouro toda comandando, Elson e Silvio levaram sua amizade duradoura, que começou no Varadouro a um novo patamar.
“Eu cheguei com carta branca para assumir o jornal. Aí fui lá. No jornal ainda tava o pessoal remanescente fazendo suas matérias. Levei a turma do Varadouro.”
O que pouco se sabe, é que o periódico estava falido, quando os dois amigos assumiram. Antes disso, ele foi lançado com um estardalhaço, uma grande festa. Porém, por uma má gestão, o jornal foi abandonado e os dois o salvaram.
“Então tava todo mundo tentando sobreviver dessa maneira. Aí esse diretor me ligou. Nós já estávamos fora do jornal, saindo, com nosso grupo coeso. Perguntou se eu podia ir lá em Porto Velho conversar com ele, porque ele estava querendo passar o jornal Gazeta pra nós, a turma do Varadouro. Aí, nós fomos.”
Detalhe: eles não precisaram comprar o jornal. Eles apenas assumiram as dívidas e foram pagando com o tempo. Com as disputas políticas do Estado e os desgastes de rotina, os dois amigos acabaram se afastando levando ao fim descrito no texto mais cedo.
O primeiro time de jornalistas a liderar Varadouro entre os anos 70 e 80. Foto: Fábio Pontes
O jornal das selvas
“O Varadouro era um movimento, não era um jornal planejado, seguindo regras e tal. Era um jornal agregador, feito por muitas mãos, muitas consciências. Por isso que era muito artesanal”, descreve Martins.
Ele está explicando o que era o Jornal O Varadouro. Criado durante a ditadura militar no Acre e com a missão de ser “um dever de consciência de quem acredita no papel do jornalista. É, propositadamente, feito aqui, na ‘terra’. Sai, portanto, de uma forma rude, cabocla, sem técnica, cheio de limitações e gerado pela necessidade de colocar em discussão os problemas de nossa região, do nosso tempo e principalmente de nossa gente.”
Antes da Gazeta, existiu o Varadouro. Espaço onde seringueiros e seringueiras ajudavam na confecção e se viam e liam suas histórias nas páginas, histórias como a de Valdiza Alencar, a Mulher do Sindicato. Junto com Martinello, que Martins afirma que aprendeu muito ao longo do processo, desde conceitos básicos até filosofias de vida.
Quando se tratava de dobrar o jornal, era um trabalho que demorava quase o tempo de fazer e imprimir. Mas eles contavam com os filhos das famílias expulsas dos seringais, que tinham curiosidade, os pais que vinham da periferia, desarrumados, que acabaram formando Rio Branco e até hoje são castigados pelo poder.
Nomes como Pedro Marques e João Maia foram grandes nomes na ajuda de consolidação de direitos destas pessoas na saída do seringal. Para o jornalista, essa cultura de intimidade com a natureza, essa educação com a natureza é o que vai garantir a sobrevivência saudável dessa sociedade da floresta.
“Resgatar essa história, porque o que nós estamos defendendo, os seringueiros estão lá, nas reservas extrativistas, estão ameaçados. E agora ameaçados também pela política, pelas propostas do Executivo. Então é preciso, pra você perceber e peitar um cara desse, da direita, você precisa ter consciência do que é que você está defendendo, pra poder se contrapor a isso.”
Martins teve fontes privilegiadas, conseguindo fazer denúncias diretamente com o governador Geraldo Mesquita. Até que, por mudanças de editorias, ele e seu amigo saíram do Varadouro que acabou se encerrando pouco tempo depois. Tendo sua retomada nos anos 2020, quase 50 anos depois de sua estreia.
“O Varadouro terminou quando terminou a ditadura. Então assim, o Varadouro fazia o que os jornais, a grande imprensa, não faziam, porque tinham o rabo preso, né. O Varadouro tinha total liberdade. Então, com a saída da censura, a volta dos militares aos quartéis, a grande imprensa passou a respirar de novo.”
"E uma coisa que eu aprendi naturalmente foi ouvir. Eu ouço mais do que falo. "
Respirar de novo
O jornalista montou o Varadouro quando voltou ao Acre depois de passar a vida adulta inteira fora do estado. Graças a Lúcio Flávio Pinto, jornalista histórico do Norte, Martins foi contratado pelo Estadão, como correspondente da Amazônia, no Acre. Em 1975, ele pensou o seguinte:
“Poxa vida, voltar pra Rio Branco... aí veio toda aquela carga emocional, de achar que eu ia encontrar todos os meus amigos do Colégio Acreano e tal.”
Feliz, ele voltou com mulher e dois filhos, carteira assinada, aumento salarial, passagem paga e ainda com liberdade de alugar até avião, se fosse necessário. Então, durante os anos 70, a partir de 75, ele teve o período com a situação financeira mais resolvida, até 85. Além de ganhar diversos prêmios de jornalismo, a partir deste período.
“Eu tinha que produzir matéria pro Estadão, tinha que ouvir um lado. E editar o jornal Varadouro, que era um jornal alternativo de enfrentamento mesmo. O outro lado não interessava pra nós, a não ser esporadicamente. Mas eles já tinham muito espaço no país todo, e o outro lado não tinha nenhum espaço. Nós estávamos desse lado sem espaço no jornal”, relembra.
Ao voltar pro Acre, ele se reconectou com memórias de infância, ao ser criado no Seringal Nova Olinda, em Sena Madureira. Crianças voltando de coletar seringa, o cheiro do mato, a “falta do que fazer” ao longo do dia.
“Eu acho que a minha formação tem uma mistura do ancestral com o moderno, sabe. E eu quero tentar reproduzir isso no meu livro. O fio da meada são essas coisas factuais que marcaram meus caminhos, minha vida, desde a adolescência.”
Com algumas amizades profundas, poucas, mas que ele considera muito e que o chamam de mestre, de professor e pouco de jornalista. Para Martins, talvez seja isso que ele sempre foi. Mas antes disso, ele pensou em sequestrar um avião em plena ditadura.
Capas históricos foram feitas por Elson Martins. Foto: Jornal O Varadouro
O que é isso, companheiro?
Antes de voltar para o Acre, como repórter do Estadão e criador do Varadouro, ele viveu alguns anos em repúblicas e pousadas em Belo Horizonte, enquanto se formava em Belas Artes, na década de 60, após conhecer Belém, Macapá e Amapá na adolescência.
“E o que me fez ir pra Belo Horizonte foi a leitura de um livro. Eu estava começando a ler muito no Amapá, estava me interessando pela literatura, fiz parte no Amapá de um grupo de jovens que criou, respirava cultura e tal. Eu li O Encontro Marcado, escrito pelo escritor mineiro Fernando Sabino. E a história deles, de adolescentes em Minas, me fascinou, e eu queria viver a história deles lá. Aí eu escolhi Belo Horizonte.”
Foi pelas rádios de BH, que ele teve as primeiras experiências com jornalismo. Ele morou com diversas pessoas, de todos os tipos e jeitos. A pensão em que ele morava, com frequência, chegava grupo de policiais armados, não pedia licença, entrava e vasculhava os quartos, jogava livro no chão, procurando coisas que indicassem um foco de esquerda, sabe.
“Eu conheci todo tipo de jovem, jovem reacionário, jovem revolucionário. A ditadura... eu fico até doído, sabe, quando eu escuto um jovem de hoje, da direita, naturalmente, pedir a ditadura, sem saber o que é uma ditadura. É uma coisa terrível. Espiritualmente ela te massacra, ela te agride de todas as formas, com ameaça”, reflete.
Elson Martins fez história ao cobrir os conflitos de terra no Acre. Foto: Reprodução/Facebook
Já com leituras marxistas na cabeça, o jovem jornalista voltou para a Amazônia. Psicologicamente, ele sentia que precisava voltar para o Norte. Ele aceitou uma proposta que pintou de última hora, em 1968, para participar de um Aparelho de Resistência do Carlos Marighella, da Aliança Libertadora Nacional, em Belém. Até treinamento de guerrilha, aconteceu na época.
“Eu não tinha nenhuma vocação pra militante clandestino, luta, né. Eu precisava passar por um treinamento muito sério pra poder dar um tiro, né. Então eu achava que eu ia morrer, mas tudo bem, era a minha missão.”
Mas, querendo se despedir de uma namorada, ele acabou saindo do Aparelho e foi morar na periferia do Amapá. Ele ficou na casa do João Capibaribe, o mesmo que o chamou para assumir o Folha do Amapá, anos antes. Lá, ele conheceu um amigo guerrilheiro, Tito Guimarães, que acolheria, anos depois, sua filha, que virou artista plástica, em Belo Horizonte.
O sequestro do avião
Um padre da cidade empregou Martins e Guimarães em uma rádio da cidade. Mas não demorou até que eles começassem a trabalhar numa movimentação de resistência por lá. Não demorou muito, e Carlos Marighella foi assassinado, gerando uma grande perseguição aos ativistas da época. Os dois amigos fizeram um jornal e colocaram na capa: “Mataram um grande brasileiro!”.
A Polícia Federal começou a procurá-los, logo em seguida. O padre que os ajudou os aconselhou a fugir. Martins conta que parecia que não haveria outra saída. Eles dormiam numa sala dentro da casa do bispo, em duas redes lá.
Tito Guimarães era um cara cheio de estratégia de defesa, tinha sido preso e fugiu da prisão, e a polícia não encontrava ele. Anarquista, trabalhava em uma emissora de rádio, dizia que era o melhor lugar para se esconder.
“Aí ele propôs que a gente sequestrasse um avião”, conta Elson Martins.
Tinha um avião que saía às 5h30 da manhã para Belém. Guimarães planejou tudo. Ele pegava um vidrinho de penicilina com um líquido viscoso branco e dizia que era nitroglicerina. Ele iria para porta de entrada do avião, que dava pros pilotos, mostrava o vidro e dava a palavra de ordem. “Vamos sequestrar esse avião!”. Martins estava no final com um revólver emprestado pelo padre, uma bereta italiana, apontando. “Quem reagir, meu colega vai…”
Mas isso nunca aconteceu. Com medo por sua família, Guimarães desistiu da ideia e fugiu para Belém e Martins ficou. Uma semana depois ele foi preso em Macapá e também levado para a capital do Pará, mas pelos soldados da ditadura.
“Eles mentiam demais, inventavam história, repressão. Como o Tito foi guerrilheiro em uma revolta, então Elson Martins também participou. Era essa a acusação, que já me condenaram antes de qualquer coisa. Me condenaram a sete anos de prisão. Já era só pegar e me levar.”
Ele conseguiu ser solto graças a, como se viu ao longo dos anos, pela sua rede de conhecidos. Elson passou uma semana preso. Ele conhece Lúcio Flávio Pinto que gosta de seu texto e, depois de trabalhar em uma fazenda de produção de leite (ao qual ele afirma que o fez “ter pesadelos afogado em leite”) e como artesão, o fez voltar para o jornalismo.
Primeiro no Pará-Amapá, depois indo para o Acre.
Seringal Nova Olinda, lugar de nascimento de Elson Martins, 1907. Foto: Biblioteca Nacional
“O seringal vive em mim”
Na entrevista para a escrita deste texto, Elson tinha perdido um irmão menos de uma semana antes. Ele nasceu em 1939, em plena Segunda Guerra Mundial, mesmo “não sabendo que vivia em uma guerra”. Sua família se mudou para Rio Branco, em meados de 1950. Elson Martins fez o primário no Colégio Sete de Setembro e o ginásio e o primeiro ano científico no Colégio Acreano.
“Eu sempre fui um pouco a ovelha negra da família, mas minha família, meus pais tinham 14 filhos. Três morreram de parto, um jamais chegou à idade adulta, e ficaram 11 vivos, cinco homens e seis mulheres. Eu sou o penúltimo, quase o mais novo.”
Mesmo se considerando ateu, quando alguma morte acontece em sua família quem consola e dá palavras de conforto para os entes queridos é ele.
“A gente não vive dando beijinho, a gente até tem vergonha de dar abraço. Até hoje, quando chega um jovem, uma jovem, sobretudo, eu fico meio sem jeito, assim. Parece que era proibido esse gesto carinhoso. Mas, espiritualmente, tem aqueles laços fortes de família. Então a gente não abandona nenhum membro da família, esteja onde estiver.”
Na adolescência, ele ganhou uma passagem para Belém, de navio, seu primeiro contato fora do Acre. Tudo era novo pra ele. A paisagem, a viagem, a cidade.
“E uma coisa que eu aprendi naturalmente foi ouvir. Eu ouço mais do que falo. Agora eu tô falando muito, mas eu sempre fui mais ouvir. O pessoal falava e eu ficava quieto. Mas era isso. Então, por isso que eu tô dando o título pro meu livro de Seringal Está em Mim. Porque, espiritualmente, ele está ditando as regras de como eu devo proceder. Eu não devo, em nenhum momento, esquecer a espiritualidade, a singeleza.”
Ele pretende escrever um livro sobre suas memórias, mostrando que ao contar sua vida, ele também narra toda uma coletividade.
“Eu vivia dentro do meu nicho espiritual, com saudade, com mistura de pensamento, com ideias pouco projetadas, pouco planejadas. Como um ser humano avançando na idade, com muitas dúvidas. Eu continuo sendo isso, sabe, cheio de dúvida.”
Elson conheceu diversos países por conta do jornalismo. Ele afirma que foi, sim, compensado pelo reconhecimento. União Soviética, Alemanha, França, Portugal, Noruega, Espanha, Santiago de Compostela. Tudo graças ao jornalismo. E, hoje, mora em Rio Branco, em sua casa com caixas de memórias que vão do Seringal que vive nele aos sonhos que ele despertou em uma geração de jornalistas.
No dia do jornalista, a gente conversa com uma das maiores referências do jornalismo acreano, Elson Martins